Jingle Bell...
...E nem mesmo eu, seu Guia Espiritual Ultra Plus Sabre-de-Luz 3000 pude fugir do clichê.Pois é. Véspera de Natal. Aliás, estranho: a véspera é mais valorizada que o natal em si. Esquisito, mas, whatever. Talvez seja só a minha família.
E antes de tudo, foda-se que Jesus não nasceu no dia 25. Foda-se o capitalismo embutido, as propagandas e o chester mutante. Não é isso que conta.
O que conta é o espírito. O significado. Todo mundo sabe disso.
Não importa se um filme é verdadeiro, e sim se ele te passa emoções, não?
Natal é a mesma coisa: as emoções, os sentimentos e tudo o mais são o que valem. Árvore, papai noel e estrela-guia são só chamarizes.
E são as pequenas ações, aquele abraço espontâneo, a doação que nem sempre aparece, o bom-humor, a confraternização, o eu te amo, as risadas, o pelo menos um dia bom no ano, que fazem valer.
Por isso vale à pena contar um "causo", mesmo que eu não seja exatamente um caipira (afinal, eu tenho um blog e...ahn...moro em SÃO PAULO.)
Era uma vez uma família (claro que tem que ter era uma vez, afinal, história sem era uma vez não é história, ora!). Essa família não era muito feliz.
Sabem como é, mundo globalizado, geração internet, jogos de luta, abuso sexual por padres, bombardeiro da midia, depressão, falta de objetivo e muitas dessas baboseiras (ou nã) que tentam (ou conseguem, quem sabe?)explicar a tristeza.
E era véspera de natal. E a família estava reunida, inutilmente, em volta da mesa de jantar, apenas os quatro, Pai, Mãe, Filho, Filha.
E isso não adiantava pra nada, porque eles não eram uma família. Eram quase-estranhos que se odiavam jantando juntos por obrigação e conveniência.
Por algum motivo, a briga estourou, gritos, ameaças de divórcio, ameaças de ir embora, levanta braço, empurra cadeira, quebra prato, e já era quase uma briga física, pai e filho avançando um pro outro, quando, inexplicavelmente, eles pararam.
Havia algo na sacada. Todos correram pra lá, sem pensar direito, e chegaram a tempo de ver algo vermelho sumindo. E a briga tinha acabado.
Voltaram pra mesa devagar, meio constrangidos, mas logo a conversa se impôs, e dá-lhe risadas, e desculpas, e abraços.
Ninguém sabe se isso durou, e os cínicos podem até dizer que, no fim das contas, isso tudo não valeu de nada, mas, naquele momento, valeu de tudo.
Essa história é verdadeira. Aconteceu com um amigo de um amigo meu.
Kain - I'm on standby
